10 de jun de 2017

Fé - o segredo sagrado de cada pessoa

Janilson Sales de Carvalho


            A música “Romaria” é um dos mais belos momentos do cancioneiro brasileiro. Renato Teixeira soube expressar a força da fé que existe em qualquer ser humano. Essa força pode ser compreendida no verso: “Como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar”. A humanidade precisa do sagrado. 
                Outra música que nos remete ao mesmo tema é “Andar com fé” de Gilberto Gil. Me pego de vez em quando entoando os versos: “Andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá/ Mesmo quem não tem fé a fé costuma acompanhar”. A fé é uma relação íntima com o sagrado. As igrejas e os templos exercem um papel importante na reunião de fiéis, mas a fé acontece  individualmente. Estar junto em atos religiosos é questão de escolha pessoal. Uma ótima escolha, sem dúvida. 
          As procissões sempre me impressionam. Cada pessoa está ali por um motivo especial, dialogando com o sagrado. São milhões de depoimentos íntimos. É uma força extraordinária que pode ser compreendida apenas observando o olhar de cada um.  O mesmo olhar do homem de fé da música de Renato Teixeira que possivelmente diria: "a fé não costuma faiá".
  Pude observar essa força em 2016 no momento de uma consulta da minha nora na Maternidade Divino Amor  em Parnamirim/RN. Existe no salão central do prédio uma imagem coberta de terços.  Olhei demoradamente e não reconheci a figura sagrada que ela representava. Seria Santa Terezinha? Santa Rita?
              Cada terço passou a fazer parte daquela imagem, marcando um momento de intensa conexão com o divino. Com certeza, familiares e amigos das parturientes depositaram ali seus terços preferidos, utilizados em muitos momentos de relação íntima com a fé.

             Fiquei algumas horas acompanhando os procedimentos de exame da minha nora. Durante esse tempo,  muitos  casais jovens e adultos circularam pelos consultórios.  Mães partiram com seus bebês protegidos em belas mantas. Pais esperaram ansiosos informações sobre os partos. Familiares formaram pequenos grupos falantes em estado de espera. De vez em quando, alguém tocava a imagem rapidamente e depois seguia para algum lugar do prédio,  em silêncio.  Ali, o rezar no olhar e a fé no toque carinhoso na imagem revelaram  que cada um estava ligado ao sagrado por uma força de esperança íntima e intensa.

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